Acervo

Antonio Dias

Ao longo de uma carreira de mais de cinco décadas, Antonio Dias desenvolveu uma obra marcada por radicalidade, experimentalismo e uma aguçada percepção dos impasses artísticos de seu tempo. Despontou no meio artístico carioca na década de 1960 em meio à geração de artistas ligados à Nova Objetividade Brasileira, que buscava a superação dos suportes tradicionais da arte, a liberdade de criação e a análise crítica da realidade. Sua obra explora e muitas vezes combina técnicas diversas, como o desenho, a pintura, a instalação e o objeto.

Dias aprendeu a ler através do contato com histórias em quadrinhos, frequentou oficinas de gravura com Oswaldo Goeldi, trabalhou como desenhista no Ministério da Saúde e foi ilustrador da revista Senhor. Sua formação ocorreu em meio a diversas rupturas políticas e sociais, tais como a emergência de um regime repressivo, a modernização da cidade e a confluência, na arte, de matrizes culturais heterogêneas. Dias e muitos artistas da sua geração trabalharam com imagens oriundas da cultura popular, da televisão, dos jornais e da propaganda, fato que levou uma parcela da crítica de arte a associar sua produção às correntes internacionais da Pop Art e do Nouveau réalisme, vistas, hoje, como insuficientes para explicar a complexidade de sua linguagem.

Suas primeiras obras trazem quadros divididos à moda das histórias em quadrinhos, onde se desenrolam ações que sugerem enredos de crime, morte e violência, com figuras humanas que são apenas vultos ou sombras, e formas que evocam vísceras e órgãos genitais. Já na virada entre as décadas de 1960 e 1970, Antônio Dias passa de pinturas e objetos de caráter narrativo para uma obra bidimensional, depurada de elementos figurativos e fundada em um exercício centrado na relação imagem-palavra. Surgem então as imagens de mapa e de diagrama que Dias escolhe para trabalhar questões como território, pertencimento e anonimato. Essa produção coincide com o início de seu autoexílio, período em que viveu em Paris, depois de receber uma bolsa de estudos do governo francês por sua participação na 4a Bienal de Paris.

Dias viveu boa parte de sua vida em Milão, passando também por Nova York em 1972, quando recebeu a Bolsa Guggenheim, até se instalar definitivamente na Europa. Outra fase de destaque em sua carreira é o conjunto de trabalhos que realizou durante uma viagem ao Nepal, onde pesquisou técnicas locais de produção de papel, experiência que resultou em um célebre conjunto de xilogravuras. Retornou ao Rio de Janeiro em 2010, e seguiu com sua prática de pintura, caracterizada, nessa fase tardia, pelo suporte formado por planos de diferentes tamanhos e cores, abandono da figuração e maior atenção a texturas e combinações cromáticas.

Em sua extensa carreira, recebeu diversos prêmios e bolsas de estudo e lecionou em diversas instituições na Europa. Participou da 39a Bienal de Veneza, diversas edições da Bienal de Paris e da Bienal Internacional de São Paulo, que em sua 34a edição dedicou uma sala às suas pinturas da década de 1970. Realizou exposições individuais desde 1962, e teve intensa circulação internacional ao longo de toda sua carreira. Sua obra integra coleções de prestígio como: The Museum of Modern Art – MoMA, Nova York; Daros Latinamerica Collection, Zurique; Museum Ludwig, Colônia; Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Buenos Aires; Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM SP, Museu de Arte Contemporânea da USP - MAC USP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Itaú Cultural, entre outras.

Obras

Antonio Dias — Environment for the Prisoner, 1970

Antonio Dias

Environment for the Prisoner, 1970
acrílica sobre tela
130 x 195 cm

Antonio Dias — Manivelas, 2010

Antonio Dias

Manivelas, 2010
folha de ouro, cobre e acrílica sobre tela
91 x 121 cm

Antonio Dias — Sem título, 1967

Antonio Dias

Sem título, 1967
acrílica sobre tela e madeira
66,5 x 60 cm

Antonio Dias — The word, 1970

Antonio Dias

The word, 1970
acrílica sobre tela
50 x 50 cm

Antonio Dias — Arid, 1969

Antonio Dias

Arid, 1969
acrílica sobre tela
85,6 x 85,8 cm

Antonio Dias — Projeto para voo de ataque, 1964

Antonio Dias

Projeto para voo de ataque, 1964
óleo sobre madeira
66 x 50 x 6 cm

Antonio Dias — Sem título, 2014

Antonio Dias

Sem título, 2014
acrílica, óxido de ferro, folha de ouro e cobre sobre tela
60 x 136 x 13 cm

Antonio Dias — The Image, 1971

Antonio Dias

The Image, 1971
acrílica sobre tela
130 x 195 cm

Antonio Dias — O homem que foi atropelado, 1963

Antonio Dias

O homem que foi atropelado, 1963
óleo sobre gesso e aglomerado de madeira
51 x 60 x 2,1 cm

Antonio Dias — Sem título, 1981

Antonio Dias

Sem título, 1981
técnica mista sobre madeira
35 x 92 cm

Antonio Dias — The Secret Life, 1970

Antonio Dias

The Secret Life, 1970
acrílica sobre cartão
72 x 101 cm

Antonio Dias — O homem que foi atropelado, 1963

Antonio Dias

O homem que foi atropelado, 1963
óleo sobre gesso e Eucatex
51 x 60 x 2,1 cm

Antonio Dias — Mirage, 1970

Antonio Dias

Mirage, 1970
acrílica sobre tela
130 x 195 cm

Antonio Dias — The secret life, 1970

Antonio Dias

The secret life, 1970
acrylic on canvas
95 x 95 cm

Antonio Dias — Chinese monument/Desert/A place painted yellow, 1968-1969

Antonio Dias

Chinese monument/Desert/A place painted yellow, 1968-1969
acrílica sobre tela
200 x 290 cm

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