Hélio Oiticica
A obra de Hélio Oiticica é marcada pela intensa experimentação ao longo de três décadas de produção, acompanhada por inúmeros textos e elaborações teóricas de sua autoria. O artista fez parte do Grupo Frente e do grupo Neoconcreto, sendo um dos pilares desse movimento carioca.
Uma de suas principais contribuições para a história da arte brasileira e mundial está no processo de espacialização da cor: quando sua pintura, pouco a pouco, começa a saltar do quadro e a se desenvolver no espaço real, escapando da moldura (física e metafórica) e da natureza bidimensional.
Sua obra caracteriza-se ainda pela incorporação de outros estímulos sensoriais, para além do visual, como o tato, apelando para a participação do público, que deixa de ser espectador para se tornar ativador e, em alguns casos, parte da obra. É o que ocorre quando Oiticica desenvolve seus Parangolés, série de trabalhos a serem vestidos e ativados por meio da dança - mais especificamente, do samba. Tal experiência se deve a um emblemático momento de virada na trajetória do artista, quando passa a colaborar com a escola de samba Estação Primeira de Mangueira e a conviver com a comunidade.
É neste momento que o crítico Mário Pedrosa utiliza pioneiramente o termo “arte pós-moderna” para se referir à produção de Oiticica, cuja vocação, em suas palavras, está para a anti-arte, para as impurezas. Pedrosa escreve em 1966: “Foi durante a iniciação ao samba que o artista passou da experiência visual, em sua pureza, para uma experiência do tato, do movimento, da fruição sensorial dos materiais, em que o corpo inteiro, antes resumido na aristocracia distante do visual, entra como fonte total da sensorialidade”.
Obras

Hélio Oiticica
Metaesquema, 1958
guache sobre cartão
52 x 64 cm

Hélio Oiticica
Metaesquema, s.d.
guache sobre cartão
49 x 62 cm

Hélio Oiticica
Metaesquema #181, c. 1958
guache sobre cartão
29,5 x 38,5 cm

Hélio Oiticica
Metaesquema, 1958
guache sobre papel
43 x 39 cm

Hélio Oiticica
Lá e cá/Metaesquema, 1958
guache sobre cartão
46 x 51,9 cm

Hélio Oiticica
Metaesquema, s.d.
guache sobre papel
51,5 x 62,5 cm

Hélio Oiticica
Relevo espacial A17, 1959/1991
acrílica sobre madeira
76 x 156 x 9 cm

Hélio Oiticica
Parangolé P4 Capa 1, 1964/1986
técnica mista sobre tecidos
150 x 62 x 17 cm

Hélio Oiticica
Sem título, 1958
guache sobre cartão
30 x 33 cm

Hélio Oiticica
Relevo espacial, 1959/1960
acrílica sobre madeira
150 x 62 x 15,5 cm