O Beijo no Asfalto
FLEXA e Tropigalpão inauguram em parceria a exposição de curta duração O Beijo no Asfalto, que conta com curadoria de Ulisses Carrilho.
Livremente inspirada no drama marginal de Nelson Rodrigues, a mostra evoca a cidade – o espaço da tragédia – como terreno da farra. No encontro entre carne e asfalto, tais lábios revelam aqui uma erótica que desorienta a ordem do dia: onde o desejo desbunda, reposiciona-se a norma.
O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, emerge como um gesto radical, um ato de amor que, ao contrário de sua superfície doce, é um golpe subterrâneo na ordem moral da cidade carioca. O beijo público, entre dois homens, não é apenas um símbolo de afeto, mas uma subversão profunda da normatividade sexual. O asfalto, essa superfície dura e cruel da cidade, é manchado pelo que não pode ser contido: o desejo reprimido que escorre pelas frestas das convenções sociais. No embate entre os corpos e as normas, o beijo é um ato de resistência, um gesto de rebeldia amorosa que tensiona o tecido moral da urbe e desafia o regime cisheteronormativo.
Se o beijo no asfalto simboliza uma ruptura com a normatividade moral, ele também pode ser lido como uma metáfora política. O beijo é um gesto de transgressão, mas também de resistência: desafia a ordem estabelecida, questiona as normas sociais e expõe a hipocrisia da moralidade burguesa. Nesse contexto, a marginalidade se torna um espaço de potencial transformação.
A mostra reúne obras de artistas como Allan Weber, Amadeo Luciano Lorenzato, Anísio O. Couto, Carlos Vergara, Heitor dos Prazeres, Hélio Oiticica, Ivens Machado, Matheus Chiaratti, Melissa de Oliveira, Miriam Inêz da Silva, Moacir Farias, Sérgio Richard, Ubi Bava, Val Souza, Vera Chaves Barcellos, Victor Arruda, Yhuri Cruz.
Obras

Carlos Vergara
Homem com rosto prateado, da série Carnaval, 1972/1976
impressão fotográfica sobre papel
150 x 100 cm

Val Souza
Estudo de Vênus, 2022
impressão fine art sobre papel
10 x 8 cm (each)

Allan Weber
Sem título, 2024
bancos de motocicleta
120 x 90 x 30 cm

Hélio Oiticica
B 47 Bólide caixa 22 – Mergulho do corpo, 1967
caixa d’água com inscrição de letras de borracha preta
47,5 x 55 x 55 cm

Hélio Oiticica
Luis Guimarães veste próximo ao cais 42 New York, 1972
serigrafia
47 x 31,5 cm

Miriam Inez da Silva
Fla x Flu - Tarde de sol..., 1984
óleo sobre madeira
26,9 x 40,2 cm

Victor Arruda
Figuras vegetais sobre a cidade ainda adormecida, 2022
acrílica sobre tela
83 x 100 cm

Miriam Inez da Silva
Sem título, 1984
óleo sobre madeira
29 x 61,2 cm

Sem título, 1989
óleo sobre aglomerado de madeira
55.5 x 40 cm

Heitor dos Prazeres
Briga de rua, 1966
óleo sobre tela
37 x 45 cm

Melissa de Oliveira
No escurinho, 2024
impressão fotográfica sobre papel
80 x 120 cm

Ubi Bava
Homenagem ao espectador, 1977
espelho e acrílico
78 x 78 cm

Matheus Chiaratti
C. (Living Model), 2023
óleo sobre tela
30 x 20 cm

Anísio Couto
Olho de espinho, 2022
óleo sobre tela
41 x 76,5 cm

Moacir Farias
Sem título, s.d.
giz de cera sobre papel
45 x 33 cm

Yhuri Cruz
Jongo & Adriano: Uma fotonovela, 2022
impressão fotográfica em papel Hahnemühle Photo Luster 260g
110 x 73 x 4 cm (cada)

Sérgio Richard
Sem título, da série Brazilian Homo, s.d.
impressão fotográfica fine art sobre papel
60 x 40 cm

Vera Chaves Barcellos
On Ice, 1978/2023
impressão fotográfica sobre papel
70 x 70 cm (cada)

Yhuri Cruz
O convite, da série Pretofagia, 2022
pastel seco sobre papel
65 x 90 cm
Vistas da exposição



























