Em cartaz
Novos Barrocos: forma e cicatriz
Com curadoria de Lilia Schwarcz e expografia de Daniela Thomas, a exposição intitulada Novos Barrocos parte do barroco brasileiro, pensando-o como linguagem de fé, poder e invenção, desenvolvida entre os séculos XVII e XVIII no contexto da colonização portuguesa, da escravidão e da expansão católica. Em terras tropicais, o barroco ganhou formas próprias a partir da presença africana no trato com o ouro, o gesso, o estuque e as imagens de devoção, tornando-se uma criação local marcada pela exuberância ornamental, pela teatralidade e pela tensão entre esplendor e violência. Mais do que um estilo artístico, o barroco constituiu uma forma de organizar o mundo e de experimentar o tempo, profundamente inscrita na paisagem, na religiosidade e na cultura visual brasileira. Ao longo da mostra será possível identificar vetores que colocam em diálogo diferentes temporalidades, geografias e suportes, aproximando produções históricas e contemporâneas.
No percurso da mostra, diferentes elementos informam uma abordagem do barroco através de perspectivas múltiplas. Entre os quais, uma paisagem barroca que evoca curvas, dobras, contrastes luminosos e perspectivas dramáticas. Já os santos de devoção elaboram imagens religiosas vindas da tradição católica portuguesa. Os ex-votos, por sua vez, também surgem aqui como elementos importantes, dando notícias dos objetos votivos presentes na cultura visual brasileira desde o período colonial, funcionando como formas de promessa, cura, agradecimento e sobrevivência. Soma-se a isso a presença de oratórios barrocos e de oratórios domésticos. Há, ainda, toda uma gama de obras que dialogam com a dimensão barroca de forma menos direta, mas igualmente pertinente. São tecidos, dobras, costuras, materiais, ornamentos que se relacionam de soslaio com a visualidade barroca.
Ao aproximar obras históricas e contemporâneas, Novos Barrocos propõe pensar o barroco não como herança cristalizada, mas como linguagem ainda viva no Brasil. Presente nas cidades, nos corpos, na religiosidade e na arte, o barroco permanece como forma de sentir o tempo e organizar os afetos, abrigando simultaneamente exuberância e desigualdade, adorno e violência. Produções contemporâneas retomam essa tradição, reinscrevendo nela novas escalas, leituras e materialidades.
Obras

Fragmento de anjo, 2000
óleo e gesso sobre tela
74 x 70 cm

Os pares, 1999
acrílica sobre tela
248.3 x 315.3 cm

Leonilson
Sem título, 1986
lápis de cor sobre papel
33 x 24 cm

Lorenzo Sabatini
The Holy Family with John the Baptist and an angel, s.d.
óleo sobre tela
143 × 119 cm

Tacape, déc. 1990
ferro, imã, limalha de ferro e folha de cobre
105 x 30 x 40 cm

Sonia Gomes
Sem título, s.d.
costura, amarrações e tecidos diversos sobre alumínio
24 x 20 x 16 cm

Silvana Mendes
Afetocolagens: reconstruindo narrativas visuais de pessoas negras na fotografia colonial, da série Frestas III, 2024
colagem digital impressa em papel Hahnemuhle Photo Rag
120 x 94 cm
Ed.: 3

Madona, déc. 1960
têmpera sobre tela
108,5 x 72 cm

Sagrado coração de Jesus I, 1926
óleo sobre tela
83 x 63,5 cm

David Almeida
Retábulo florido, 2026
óleo sobre ornamento de madeira
23.5 x 82.5 x 4 cm

Ayrson Heráclito
Pérola Negra, 2016
pérola negra do Tahiti e concha da Polinésia
2 x 10 x 9.5 cm

André Griffo
A supressão do santo pelo ornamento # 05, 2025
tinta óleo e acrílica sobre compensado naval
194 x 135,3 cm

Antonio Francisco Lisbôa
Santo Antônio, séc. XVIII
madeira policromada e metal policromado
60 x 30 x 18 cm

Lezart, déc. 1990
cobre, aço, ímã e ferro
90 x 185 x 112 cm

Dalton Paula
1a Gemelar, 2018
óleo sobre tela
50 x 60 cm

GTO
Sem título, s.d.
madeira
34.5 x 28 x 7 cm
Vistas da exposição





























































