Morar na cor
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Morar na cor

Datas18 abr – 15 ago 2026

A FLEXA tem o prazer de anunciar sua décima exposição, Morar na cor, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra, com abertura marcada para o dia 18 de abril, tem curadoria assinada por Luisa Duarte e Daniela Avellar, e é acompanhada de texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca de SP. A coletiva propõe pensar a cor, na arte, para além de sua dimensão estritamente formal.

Partindo da compreensão de que os cromatismos são atravessados pela experiência, pela subjetividade e pelo cotidiano, a exposição coletiva entende toda paleta de cor enquanto um campo ativo, capaz de produzir diferentes afetos e percepções. A cor aparece, nas obras reunidas, como força estruturante dos trabalhos e da experiência proposta ao público, cuja expografia se inspira no trabalho do arquiteto mexicano Luis Barragán, e é assinada por Julio Shalders.

Voltando no tempo, surpreende saber que as estátuas gregas da Antiguidade eram originalmente multicoloridas. Análises com luz ultravioleta, realizadas nos anos 1980, revelaram vestígios de pigmentos sobre os mármores hoje vistos como brancos. As intempéries apagaram essas cores, presentes em detalhes como pele, rostos e ornamentos.

Ao tensionar a tradição ocidental que historicamente relegou a cor a um lugar de excesso ou até mesmo de superficialidade, Morar na cor propõe um deslocamento. Saindo do ornamento para ocupar o lugar do pensamento, a cor é capaz tanto de preencher o espaço expositivo como se presentificar nas distintas obras agrupadas, fazendo com que o espectador reflita sobre os sentidos simbólicos contidos na experiência cromática. O título da exposição se inspira no ensaio homônimo publicado por Lygia Pape em 1988. Nele, a artista reflete sobre a relação da cor com as moradias vernaculares cariocas.

Reunindo artistas de diferentes gerações, a mostra se organiza em três núcleos que exploram distintas aproximações com a cor. Em um deles, a investigação cromática se dá pela observação empírica e pela variação sutil entre tons, aproximando-se de uma experiência quase tátil. Em outro, a cor emerge dos signos do cotidiano e das arquiteturas populares, incorporando referências visuais de contextos urbanos e vernaculares. O terceiro eixo questiona certo pudor diante da cor. Nesse conjunto, cores saturadas e avivadas comparecem nos lembrando da complexidade cromática e sua capacidade de produzir conexões enérgicas.

A exposição propõe, assim, uma aproximação expandida da cor, entendida como experiência viva, situada entre o olhar, o corpo e o mundo.

Fazem parte da mostra Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Amadeo Luciano Lorenzato, Amelia Toledo, Ana Claudia Almeida, André Ricardo, Antonio Ballester Moreno, Antonio Bandeira, AVAF, Beatriz Milhazes, Carlos Vergara, Cícero Dias, Dudi Maia Rosa, Frank Stella, Ione Saldanha, Jorge Guinle, Judith Lauand, Lucia Koch, Luiz Braga, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Marcone Moreira, Maria Leontina, Mariana Palma, Miguel Rio Branco, Milton Dacosta, Montez Magno, Paulo Pasta, Rafael Kamada, Rodrigo Cass, Rubem Valentim, Sol LeWitt, Tomie Ohtake, entre outros.

Baixar catálogo (PDF)

Obras

Nam June Paik — Sem título, 1988

Nam June Paik

Sem título, 1988
acrílica sobre tela e antenas de TV
193.7 x 172.7 cm

Adriana Varejão — Polvo Color Wheel III, 2013-2014

Adriana Varejão

Polvo Color Wheel III, 2013-2014
Tintas Polvo, 2013
óleo sobre tela e tintas à óleo, madeira e acrílico
tela: Ø 100 cm | objeto: 36 x 51 x 8 cm

Maria Leontina — Episódios, 1958

Maria Leontina

Episódios, 1958
óleo sobre tela
54.5 x 33 cm

Jorge Guinle — Polka dance, 1985

Jorge Guinle

Polka dance, 1985
óleo sobre tela
190 x 190 cm

Aluísio Carvão — Sem título, da série A batalha, déc. 1960

Aluísio Carvão

Sem título, da série A batalha, déc. 1960
óleo sobre tela
33,3 x 41,4 cm

Alfredo Volpi — Faixas e mastros, déc. 1970

Alfredo Volpi

Faixas e mastros, déc. 1970
têmpera sobre tela
68 x 102 cm

Luiz Zerbini — Serra do luar, 2014

Luiz Zerbini

Serra do luar, 2014
acrílica sobre tela
240 x 240 cm

Ione Saldanha — Aparelhos, 1956

Ione Saldanha

Aparelhos, 1956
óleo sobre tela
64 x 91 cm

Lucia Koch — Dupla {AB1107 + VI715}, 2014

Lucia Koch

Dupla {AB1107 + VI715}, 2014
alúminio e acrílico
40 x 60 x 7 cm

Yves Klein — La Terre Bleue (RP7), 1957-1988

Yves Klein

La Terre Bleue (RP7), 1957-1988
pigmento IKB e resina sintética sobre molde de gesso
34.9 x 17.8 x 17.8 cm

Sol LeWitt — Sem título, 1992

Sol LeWitt

Sem título, 1992
guache sobre papel
55.9 x 25.1 cm

Janaina Tschäpe — Sem títutlo, s.d.

Janaina Tschäpe

Sem títutlo, s.d.
óleo sobre tela
150 x 100 cm

Abraham Palatnik — Objeto cinético CK-8, 1966-2005

Abraham Palatnik

Objeto cinético CK-8, 1966-2005
tinta industrial, madeira, metal, ímãs e motor
120 x 40 x 40 cm

Tomie Ohtake — Sem título, 1981

Tomie Ohtake

Sem título, 1981
óleo sobre tela
40 x 40 cm

Alfredo Volpi — Faixas e mastros, déc. 1970

Alfredo Volpi

Faixas e mastros, déc. 1970
têmpera sobre tela
68 x 102 cm

Alfredo Volpi — Sem título, déc. 1970

Alfredo Volpi

Sem título, déc. 1970
têmpera sobre tela
136 x 68 cm

Vistas da exposição

Morar na cor
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