CONSTRUÇÃO NO VENTO
A FLEXA tem o prazer de anunciar sua primeira exposição em São Paulo, intitulada Construção no vento, com abertura marcada para o dia 16 de dezembro. Com curadoria de Luisa Duarte e expografia de Daniela Thomas, a mostra, que acontece na Claraboia, tem no seu título um paradoxo presente em uma reflexão de Nuno Ramos (1960) sobre a poética de Mira Schendel (1919–1988): como seria possível edificar em meio ao efêmero? Como pensar uma construção que se dê por meio da volatilidade própria ao vento? A partir de quatro núcleos a coletiva reúne, por meio das obras de mais de 40 artistas, formas de sensibilidade que escapam às lógicas pragmáticas e grandiosas, privilegiando o que reverbera silenciosamente.
O núcleo intitulado Gestos mínimos apresenta trabalhos que, ao adotarem certa economia formal e se valerem de gestos ínfimos, sublinham aquilo que nos chega através de movimentos contidos, nos quais há um gasto mínimo de energia aliado a um intenso potencial de ressonância; Ativar o vazio, inspirado na afirmação de Mira Schendel, agrega produções capazes de ressignificar a ideia de vazio, não como representação do nada, mas como aquilo que existe e afeta; Paisagens rarefeitas reúne obras que tensionam o gênero clássico da paisagem, afastando-se do naturalismo em direção a representações rarefeitas, nas quais o que se vê opera no limiar da visibilidade.
Se alguns aspectos da obra de Mira Schendel servem aqui como uma espécie de bússola, o último eixo encarna o modo como Leonilson (1957–1993) abordava os campos em branco e os vazios em sua produção, subvertendo certa assepsia característica do minimalismo. Esse é um modo de fazer com que não apenas o vazio e o ínfimo compareçam na seleção de trabalhos, mas, com eles, também o erotismo, o desejo e a dor. Através de enxertos ou pequenas inscrições no espaço em branco, este núcleo remonta à face mais visceral de se pensar o sensível por meio da suavidade.
A curadoria de Construção no vento reflete o programa da FLEXA na medida em que artistas consagrados, como Lucio Fontana (1899-1968), Mira Schendel, Tunga (1952-2016) e Adriana Varejão (1964), são convocados a dialogar com artistas emergentes, como Rebeca Carapiá (1988) e Juliana dos Santos (1987), que estarão na próxima Bienal de São Paulo.
Já Iole de Freitas (1945), nome importante da arte brasileira desde a década de 1970, produziu uma escultura especialmente para a exposição, feita de papel glassine, fio de cobre e pedras, evocando uma série de aspectos presentes no partido curatorial.
A seleção de trabalhos também dá continuidade à sequência de mostras organizadas pela FLEXA e curadas por Luisa Duarte, que produzem uma espécie de comentário sobre o contemporâneo. Permanece como pano de fundo uma tentativa de falar sobre o embotamento dos afetos e as capturas da atenção e do tempo que nos atravessam incessantemente, fazendo das obras escolhidas, e dos arranjos expográficos propostos, possibilidades de produção de experiências outras, capazes de avivar necessários sentidos inauditos. A mostra contará com texto da poeta e escritora Julia de Souza.
Obras

The Secret Life, 1970
acrílica sobre cartão
72 x 101 cm

Olha pro céu meu amor, 2025
óleo e gesso sobre tela
95 x 95 cm

Agnes Martin
Sem título, 1964
aquarela, tinta e grafite sobre papel
20,6 x 20,6 cm

Maria Laet
Sustentação (II), 2010/2020
impressão a jato de tinta sobre papel algodão
52 x 52 cm (cada)

Yayoi Kusama
Infinity Nets, 2014
acrílica sobre tela
97 x 130 cm

Lucio Fontana
Concetto spaziale, 1967
tinta a base d'água sobre tela
55 x 46 cm

Sem título, da série Monotipias, 1964-1966
óleo sobre papel de arroz
46,8 x 23 cm

Objeto gráfico, 1967
grafite sobre papel de arroz
50 x 50 cm

Maria Helena Vieira da Silva
Ateliê Boulevard Saint-Jaques, 1960
óleo sobre tela
81 x 100 cm

Oceano, aceita-me?, 1991
tinta de caneta permanente sobre papel
30 x 23 cm

Alexander Calder
Sem título, 1961
arame e alumínio policromado
38 x 126 x 78 cm (medidas variadas)

Antonio Bandeira
Paysage, 1956
óleo sobre tela
60 x 73 cm

Parede com incisões à la Fontana (Istambul), 2011
óleo sobre tela e poliuretano em suporte de madeira e alumínio
95 x 120 cm

León Ferrari
Sem título, 1978/1982
aço inoxidável
70 x 30 x 30 cm

Sem título, da série Anjos Maquiados, 2011-2012
aquarela, esmalte de unha e maquiagem sobre papel algodão
aprox. 43 x 32 cm (cada)

Iole de Freitas
Sem título, 2025
papel glassine , fio de cobre e pedras diversas
144 x 65 x 70 cm
Vistas da exposição









































